domingo, 13 de março de 2011

“Can I kiss you at the top?”

“What would your mother think if she knew you were seeing a lapsed Catholic?”
“Ask me to bring you home,” Johnny said promptly, “so she could slip you a few tracts.”
She stopped, still holding his hand. “Would you like to bring me to your house?” she asked, looking at him closely.
Johnny’s long, pleasant face became serious. “Yeah,” he said. “I’d like you to meet them … and vice versa.”
“Why?”
“Don’t you know why?” he asked her gently, and suddenly her throat closed and her head throbbed as if she might cry’ and she squeezed his hand tightly.
“Oh Johnny, I do like you.”
“I like you even more than that,” he said seriously.
“Take me on the Ferris wheel,” she demanded suddenly, smiling. No more talk like this until she had a chance to consider it, to think where it might be leading. “I want to go up high where we can see everything.”
“Can I kiss you at the top?”
“Twice, if you’re quick.”
He allowed her to lead him to the ticket booth, where he surrendered another dollar bill. As he paid he told her, “When I was in high school, I know this kid who worked at the fair, and he said most of the guys who put these rides together are dead drunk and they leave off all sorts of…”
“Go to hell,’ she said merrily, “nobody lives forever.”
“But everybody tries, you ever notice that?” he said, following her into one of the swaying gondolas.
As a matter of fact he got to kiss her several times at the top, with the October wind ruffling their hair and the midway spread out below them like a glowing clockface in the dark.


The Dead Zone, Stephen King

O dia que Júpiter encontrou Saturno

Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto. Deram-lhe um copo de plástico com vodka, gelo e uma casquinha de limão. Ela triturou a casquinha entre os dentes, mexendo o gelo com a ponta do indicador, sem beber. Com a movimentação dos outros, levantando o tempo todo para dançar rocks barulhentos ou afundar nos quartos onde rolavam carreiras e baseados, devagarinho conquistou uma cadeira de junco junto a janela. A noite clara lá fora estendida sobre Henrique Schaumann, a avenida poncho & conga, riu sozinha. Ria sozinha quase o tempo todo, uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz. Molhou os lábios na vodka tomando coragem de olhar para ele, um moço queimado de sol e calças brancas com a barra descosturada. Baixou outra vez os olhos, embora morena também, e suspirou soltando os ombros, coluna amoldando-se ao junco da cadeira. Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.

Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.

Levemente, para não chamar atenção de ninguém, girou o busto sobre a cintura, apoiando o cotovelo direito sobre o peitoril da janela. Debruçou o rosto na palma da mão, os cabelos lisos caíram sobre o rosto. Para afastá-los, ela levantou a cabeça, e então viu o céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Vista assim parecia não uma moça vivendo, mas pintada em aquarela, estatizada feito estivesse muito calma, e até estava, só não sentia mais nada, fazia tempo. Quem sabe por que não evidenciava nenhum risco parada assim, meio remota, o moço das calças brancas veio se aproximando sem que ela percebesse.

Parado ao lado dela, vistos de dentro, os dois pintados em aquarela - mas vistos de fora, das janelas dos carros procurando bares na avenida, sombras chinesas recortadas contra a luz vermelha.

E de repente o rock barulhento parou e a voz de John Lennon cantou every day, every way is getting better and better. Na cabeça dela soaram cinco tiros. Os olhos subitamente endurecidos da moça voltaram-se para dentro, esbarrando nos olhos subitamente endurecidos do moço. As memórias que cada um guardava, e eram tantas, transpareceram tão nitidamente nos olhos que ela imediatamente entendeu quando ele a tocou no ombro.

- Você gosta de estrelas?

- Gosto. Você também?

- Também. Você está olhando a lua?

- Quase cheia. Em Virgem.

- Amanhã faz conjunção com Júpiter.

- Com Saturno também.

- Isso é bom?

- Eu não sei. Deve ser.

- É sim. Bom encontrar você.

- Também acho.

(Silêncio)

- Você gosta de Júpiter?

- Gosto. Na verdade "desejaria viver em Júpiter onde as almas são puras e a transa é outra".

- Que é isso?

- Um poema de um menino que vai morrer.

- Como é que você sabe?

- Em fevereiro, ele vai se matar em fevereiro.

(Silêncio)

- Você tem um cigarro?

- Estou tentando parar de fumar.

- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.

- Você tem uma coisa nas mãos agora.

- Eu?

- Eu.

(Silêncio)

- Como é que você sabe?

- O quê?

- Que o menino vai se matar.

- Sei de muitas coisas. Algumas nem aconteceram ainda.

- Eu não sei nada.

- Te ensino a saber, não a sentir. Não sinto nada, já faz tempo.

- Eu só sinto, mas não sei o que sinto. Quando sei, não compreendo.

- Ninguém compreende.

- Às vezes sim. Eu te ensino.

- Difícil, morri em dezembro. Com cinco tiros nas costas. Você também.

- Também, depois saí do corpo. Você já saiu do corpo?

(Silêncio)

- Você tomou alguma coisa?

- O quê?

- Cocaína, morfina, codeína, mescalina, heroína, estenamina, psilocibina, metedrina.

- Não tomei nada. Não tomo mais nada.

- Nem eu. Já tomei tudo.

- Tudo?

- Cogumelos têm parte com o diabo.

- O ópio aperfeiçoa o real.

- Agora quero ficar limpa. De corpo, de alma. Não quero sair do corpo.

(Silêncio)

- Acho que estou voltando. Usava saias coloridas, flores nos cabelos.

- Minha trança chegava até a cintura. As pulseiras cobriam os braços.

- Alguma coisa se perdeu.

- Onde fomos? Onde ficamos?

- Alguma coisa se encontrou.

- E aqueles guizos?

- E aquelas fitas?

- O sol já foi embora.

- A estrada escureceu.

- Mas navegamos.

- Sim. Onde está o Norte?

- Localiza o Cruzeiro do Sul. Depois caminha na direção oposta.

(Silêncio)

- Você é de Virgem?

- Sou. E você, de Capricórnio?

- Sou. Eu sabia.

- Eu sabia também.

- Combinamos: terra.

- Sim. Combinamos.

(Silêncio)

- Amanhã vou embora para Paris.

- Amanhã vou embora para Natal.

- Eu te mando um cartão de lá.

- Eu te mando um cartão de lá.

- No meu cartão vai ter uma pedra suspensa sobre o mar.

- No meu não vai ter pedra, só mar. E uma palmeira debruçada.

(Silêncio)

- Vou tomar chá de ayahuasca e ver você egípcia. Parada do meu lado, olhando de perfil.

- Vou tomar chá de datura e ver você tuaregue. Perdido no deserto, ofuscado pelo sol.

- Vamos nos ver?

- No teu chá. No meu chá.

(Silêncio)

- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.

- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.

- Vou te escrever carta e não te mandar.

- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.

- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.

- Vou ver Saturno e me lembrar de você.

- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.

- O tempo não existe.

- O tempo existe, sim, e devora.

- Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?

- Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.

- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

(Silêncio)

- Mas não seria natural.

- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.

- Natural é encontrar. Natural é perder.

- Linhas paralelas se encontram no infinito.

- O infinito não acaba. O infinito é nunca.

- Ou sempre.

(Silêncio)

- Tudo isso é muito abstrato. Está tocando "Kiss, kiss, kiss". Por que você não me convida para dormirmos juntos.

- Você quer dormir comigo?

- Não.

- Porque não é preciso?

- Porque não é preciso.

(Silêncio)

- Me beija.

- Te beijo.

Foi a última pessoa que viu ao sair. Tão bonita que ele baixou os olhos, sem saber sabendo que ela também o tinha visto. Desceu pelo elevador, a chave do carro na mão. Rodou a chave entre os dedos, depois mordeu leve a ponta metálica, amarga. Os olhos fixos nos andares que passavam, sem prestar atenção nos outros que assoavam narizes ou pingavam colírios. Devagarinho, conquistou o espaço junto à porta. Os ruídos coados de festas e comandos da madrugada nos outros apartamentos, festas pelas frestas, riu sozinho. Ria sozinho quase sempre, um moço queimado de sol, com a barra branca das calças descosturadas, querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz.

Mordeu a unha junto com a chave, lembrando dela, uma moça magra de cabelos lisos junto à janela. Baixou outra vez os olhos, embora magro também. E suspirou soltando os ombros, pés inseguros comprimindo o piso instável do elevador. Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.

Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.

Levemente, para não chamar a atenção de ninguém, apertou os dedos da mão direita na porta aberta do elevador e atravessou o saguão de lado, saindo para a rua. Apoiou-se no poste da esquina, o vento esvoaçando os cabelos, e para evitá-lo ele então levantou a cabeça e viu o céu. Um céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Visto assim parecia não um moço vivendo, mas pintado num óleo de Gregório Gruber, tão nítido estava ressaltado contra o fundo da avenida, e assim estava, mas sem compreender, fazia tempo. Quem sabe por que não evidenciava nenhum risco, a moça debruçou-se na janela lá em cima e gritou alguma coisa que ele não chegou a ouvir. Parado longe dela, a moça visível apenas da cintura para cima parecia um fantoche de luva, manipulado por alguém escondido, o moço no poste agitando a cabeça, uma marionete de fios, manipulada por alguém escondido.

De repente um carro freou atrás dele, o rádio gritando "se Deus quiser, um dia acabo voando". Na cabeça dele soaram cinco tiros. De onde estava, não conseguiria ver os olhos da moça. De onde estava, a moça não conseguiria ver os olhos dele. Mas as memórias de cada um eram tantas que ela imediatamente entendeu e aceitou, desaparecendo da janela no exato instante em que ele atravessou a avenida sem olhar para trás.


-- Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Awww dip

Viver deveria ser igual mergulhar. Porque antes de entrar na água, você precisa não ter medo dela. Então você mergulha. Muita gente deveria mergulhar de cabeça na vida. Mas não um mergulho qualquer, mas sim aquele mergulho onde você testa todos os seus limites. Você vai fundo. Até o fim do oceano imenso, porque você precisa desafiar-se. Você mergulha até o fim, mesmo que comece a precisar de ar e precise buscar a superfície. Mas ela está muito longe... Mas você precisa tentar, você precisa alcançar a superfície antes que seja tarde. Você está apavorado, porque você provou que podia ir... Mas nunca pensou se você poderia voltar atrás. Mas você não vai morrer. Simplesmente porque ainda não chegou a sua hora. Você começa a pensar em toda a sua vida e você nada mais rápido, mais rápido. Você não vai suportar e está perdendo suas forças. Mas está perto, tão perto.
Aqui, alguns desistem. Fim.
Mas tem outros que continuam, eles não podem simplesmente morrer. Porque eles já estão morrendo, porque você precisa desafiar a vida para sentir o valor que ela possui. E alguns chegam a superfície. Outros não.
Alguns ainda chegam e não voltam nunca mais. Trauma. Estes passam a viver eternamente na superfície. Outros são corajosos. Superam. E voltam. Eles mergulham novamente. E eles tentam mais fundo, estes aprenderam a lição. Aqueles que não voltaram talvez não tentaram o suficiente. Ou apenas era o destino deles, o de não voltar mais. O de mergulhar. O de ter coragem.
Existem ainda os que gostariam de tentar, mas tomam como base aqueles que não voltaram. E jamais ousam tentar.
Você jamais irá aprender com o erro dos outros, uma vez que você não aprende sequer com os próprios.
Os que tentaram e voltaram são heróis. Os que não voltaram fizeram a sua tentativa, não importa o motivo de não terem voltado. E os que jamais tiveram coragem de tentar são os fracassados.
Você precisa mergulhar de cabeça e alcançar o fundo. E voltar. Você tem capacidade para fazer isso. E você deve falhar e deve tentar de novo. E de novo. E de novo. Até que não existam mais motivos pelos quais tentar. E quando você conseguir, você precisa aumentar a proposta. A proposta para si mesmo. E aumentar. E aumentar. Até que não exista proporção que possa ser alcançada.
Você conhece seus limites, não seus limites que conhecem você. E você precisa ir muito além, porque nem sempre o limite é suficiente. Você precisa mergulhar até o fundo sem proteção. Você precisa sentir a vida e deixar que a vida sinta você também.
Você não é ninguém no mundo até provar que pode ser alguém. Você não é ninguém para si mesmo até provar que você é quem faz os seus limites e que não realidade na existem limites. Porque não existe medo.
Ou pelo menos não deveria existir...

sábado, 25 de setembro de 2010

Problemas habituais

Meninos dão problema. Cadê a novidade? Mas meninas também. Eu sempre costumo dizer que só é mais fácil se relacionar com uma menina - uma vez que você também é uma - porque só uma menina para entender a outra. Mas não é de longe assim. É claro que pode ser mais fácil, um menino não vai nunca entender quando você diz "estou de TPM" e vai achar que essa é a desculpa feminina universal para brigar e sair com a razão, não fazer sexo e milhões de prováveis etecéteras aqui. Mas nós sabemos que não é só isso, por isso talvez seja mais fácil lidar com outra menina. Assim como uma menina não entende às vezes porque os meninos são tão reservados, nunca se expressam... Ou talvez eu tenha essa imagem, pelo simples fato de que as vezes que eu tentei, eu provavelmente tentei errado. Ou com as pessoas erradas.
Mas meu ponto nem era esse. Na verdade, eu queria apenas um ponto de partida pra poder reclamar, xingar e dizer tudo que eu queria dizer pra ela e não posso, porque eu sei que ela vai se chatear. (Mais do que já está.) Mas pra variar, estou eu aqui reclamando. Porque essa merda fode com a minha vida provavelmente desde 2005. Eu sempre penso que se eu não tivesse escutado aquela minha amiga lá de 2005 e nunca tivesse criado aquela conta no Orkut, eu jamais teria conhecido nenhuma Carolina, Tatiana, Isabella, Ana... nenhuma. Mas não, eu não me arrependo disso, de longe. Porque todas foram especiais, todas TEM a importância que tem na minha vida e me ensinaram coisas. Mas a primeira coisa que começa a machucar é quando você quer muito estar perto de uma pessoa e sequer pode... porque ela está geograficamente longe de você. E distância dói e dói demais. Talvez esse fosse o ponto principal para eu ter desistido disso há muito tempo.
Mas daí vem todo o problema de passado, presente, vida própria. E isso fode. Eu não sei, talvez eu me sinta afetada pelos problemas dos outros porque eu não posso ajudar, ou talvez seja ciúmes, ou eu realmente deveria desistir disso, deixar pra lá. Mas não dá. Eu não consigo.
As pessoas dizem o tempo todo, elas sempre me disseram que eu precisava sair dessa vida, que isso sempre me fazia mal. Que eu precisava viver na realidade.
E daí vieram Max, Plínio, Rafael, Gabriel... Aqui, na realidade. E no que foi diferente? Tanto eles quanto elas me fizeram sentir do mesmo modo. A diferença é que com as meninas eu me sinto melhor, eu me sinto mais confortável. Mas aí entra o mundo todo contra uma escolha, como se eu precisasse viver sempre me escondendo e isso fosse um crime. O constrangimento para dizer uma simples frase "Eu gosto de meninos e meninas". Sim, Renato Russo disse isso. E ele era famoso. E ele podia. E não podia. Pouquíssimas pessoas aceitam esse estilo de vida alternativo. Eu particularmente sinto nojo dessa expressão. Eu sinto nojo de quem diz que é fase. Eu sinto nojo de quem diz que "Deus" não vai mais me amar. Eu sinto nojo de quem diz que o Diabo está conseguindo o que queria. EU SINTO NOJO DE SER JULGADA POR GENTE QUE TEM MAIS DEFEITOS QUE EU.
Eu nunca fiz mal pra ninguém. Eu sou reservada, não converso com muita gente. E confio. Eu confio as minhas coisas para as pessoas, porque eu não acho que eu precise me esconder. Eu não estou fazendo nada de errado. Eu estou vivendo. Estou tentando ser feliz. E esse é o meu jeito de ser feliz. Eu sou feliz assim. E ninguém tem nada a ver com isso.
Ainda que eu me sinta mal, que eu me magoe. Mas qual a diferença? Os meninos me machucaram, as meninas me machucaram. Eu machuquei meninos e meninas. Ninguém tá livre de sair ferido quando se coloca sentimentos e amor em jogo.
Eu me disperso... Meu ponto inicial não era meu ponto inicial e nem era esse de agora. Mas eu sinto uma confusão dentro de mim tão grande, que eu sinto como se precisasse falar. Falar de todo e qualquer assunto que me vem na cabeça. Falar, falar, falar. Sobre tudo. Eu gosto de falar. Não. Eu gosto de escrever sobre o que eu gostaria de falar.
Todo mundo diz que eu sou viciada, que o computador "suga" a minha vida. Mas a minha desculpa é aceitável... Aqui é o único lugar onde eu consegui encontrar pessoas que se sintam como eu me sinto, que pensem como eu penso e que tenham alguma coisa a ver comigo. Ou muito, dependendo. Mas é claro que as pessoas vão me desapontar. Isso é o ser humano, esteja ele em qualquer canto do mundo, sempre vai estar fazendo alguma coisa que nos desaponte. Mas a gente perdoa. Sofre, mas perdoa e faz tudo de novo. As pessoas são assim.
Até chega a hora que cansa, então você afasta essas pessoas da sua vida. E você vai afastar pessoas pelo resto da sua vida, mas é um ciclo interminável.
Eu poderia divagar muito mais sobre isso, mas eu não tô muito bem pra isso e eu só precisava escrever pra ver se eu desabafava um pouco. Mas nem isso tá resolvendo. Vou procurar outra coisa pra me distrair. Depois eu escrevo algo que faça mais sentido...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Send my love to the dancefloor

O seu corpo se movia quase com leveza pela pista, acompanhado das batidas da música. Poderia dizer que ele e aquelas batidas já eram como amigos íntimos e que seu corpo já se movia sem necessidade de ser comandado. Os olhos fechados, os lábios entreabertos. A expressão. Algo nele me fazia pensar como se seu corpo gritasse por uma grande confusão. E naquela hora eu o desejava, total e absolutamente.

Nota: Achei esse texto perdido aqui no meu computador e resolvi postar. Provavelmente era um projeto de fic, mas agora acho que está bom desse jeito mesmo. Yap. E uau, nunca mais postei aqui, vou deixar de ser desleixada com meu blog.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Só pra constar...

Some fake ass punk kid heckling The Academy Is, Gabe Saporta do what he gotta do!

...They even came prepared with a sign that read “EMO FAGS.” They were incessant in their heckling, and continued calling my friends faggots. And it broke my heart and angered me to see how it was affecting my friend William, who is a sweetheart and a sensitive guy, and who doesn’t necessarily have the ability to stand up for himself. But me— I ALWAYS look out for my friends. And sorry to sound like I’m trying to be tough, but if you fuck with our friends, you fuck with our whole crew. That’s what friendship is all about; that’s what family’s all about— getting each other’s backs.

sábado, 15 de maio de 2010

Misticismo

É chegado o momento, Alle, de romper com a estagnação. O Ás de Espadas transborda como arcano de conselho para você, hoje, sugerindo que você corte implacavelmente todas as coisas, pensamentos, hábitos e pessoas que não lhe servem mais e que procure sustentar seus pensamentos e opiniões, mesmo que isso signifique desencadear antipatia nos outros. Este é um momento de renovação em sua vida, de idéias novas que fervilham e você poderá tomar as iniciativas que tirarão sua existência da rotina e do tédio. Prepare-se para uma nova e deliciosa aventura e não se preocupe tanto em ter uma “personalidade simpática” nesta fase de sua vida. Há momentos em que a atitude mais sedutora é aquela que não prima pela docilidade, mas que se compromete com a verdade. É quando sabemos que não estamos sendo simpáticos, mas estamos sendo honestos. Ainda que não agrademos, não há como negar o notável poder sedutor da pessoa que age com integridade – mesmo quando age de uma forma superficialmente antipática.

(Personare)

domingo, 9 de maio de 2010

A dor que dói mais

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando da quele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donalds; se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; Não saber como frear as lágrimas diante de uma música; Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não querer saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

(Martha Medeiros)